A Casa e a Cidade

Coleção relembra o uso residencial do imóvel que hoje sedia o MCB

A exposição “A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado” marca a volta da coleção da Fundação Crespi Prado, agora em comodato no Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Estado da Cultura. Com textos dos professores Carlos Lemos e Maria Ruth Amaral, ambos da FAU-USP, além da contribuição do ambientalista Ricardo Cardim, a mostra possibilita novas leituras a respeito deste acervo, em um retrato da cidade de São Paulo entre o final do século 19 até meados do século 20.
“A coleção da família dos moradores originais do imóvel que abriga o Museu da Casa Brasileira tem sido preservada pela Fundação Crespi Prado, criada por Renata Crespi em 1975. Em 1996 houve a primeira apresentação de parte destes objetos no MCB. A nova exposição, inaugurada em 2012, contextualiza a coleção com uma curadoria que tem o viés das abordagens características das áreas de vocação do Museu”, afirma Miriam Lerner, diretora geral do MCB.
Dividida em módulos – Renata Crespi; Fábio Prado; território; vida pública e cidade; e o Solar –, a mostra busca apresentar aspectos do cotidiano do casal que habitava o Solar, revelando suas origens, sua atuação como protagonistas na história da cidade, e a casa em que moraram, caracterizada desde o início como um local de encontros, reuniões e eventos de caráter político e cultural.
A cidade do período é reconhecida, com os avanços urbanísticos propiciados pela própria gestão de Fábio Prado que, como prefeito de São Paulo de 1934 a 1938, permitiu a expansão da malha urbana rumo ao rio Pinheiros. Por meio de textos do ambientalista Ricardo Cardim e pesquisa iconográfica em acervos como da Fundação Energia e Saneamento, do Esporte Clube Pinheiros e da Casa da Imagem de São Paulo , pode-se identificar as transformações ocorridas neste território de inserção do Solar Fábio Prado, desde as primeiras ocupações à canalização do rio Pinheiros.

Com base em textos dos professores Carlos Lemos e Maria Ruth Amaral, são detalhadas as ações urbanísticas e culturais do prefeito, sua vida pública e a cidade do período. Responsável pela criação do Departamento Municipal de Cultura, Fábio Prado iniciou em sua gestão obras que serviram de base para o desenvolvimento paulistano em uma metrópole, como as avenidas Nove de Julho, Rebouças e Itororó (hoje 23 de Maio), os viadutos Martinho Prado e Viaduto do Chá, além dos edifícios da biblioteca municipal e do estádio do Pacaembu.

A ocupação interior do Solar da rua Iguatemi é retratado a partir de fotografias, móveis e objetos, que revelam hábitos do casal como o de oferecer célebres jantares e colecionar objetos de arte como porcelanas e pratarias de diferentes regiões do mundo, ao lado de obras de Di Cavalcanti, Portinari e Brecheret.
“Esta mostra visa contribuir para o conhecimento de uma face importante da história de São Paulo, e facilitar a compreensão das relações entre o imóvel, seu uso, os hábitos de seus moradores e a paisagem, revistas a partir da casa e do período de sua vida como tal, a casa do MCB”, conclui Giancarlo Latorraca, diretor técnico do Museu.

Sobre as famílias Crespi e Prado
A trajetória das famílias de origem dos antigos proprietários do Solar Fábio Prado compreende um importante capítulo da história de São Paulo entre o final do século 19 e meados do século 20, diretamente relacionado ao processo de modernização da cidade e sua consolidação como metrópole.
De um lado, a família Silva Prado, tradicionalmente ligada à economia agrária, de tropeiros a produtores de café, consolidou-se na metrópole, assim como outros barões do café, envolvendo-se no mercado de ações, empreendimentos bancários e estabelecimentos comerciais, além de conquistar notória projeção política. Martinico Prado, pai de Fábio, atou como deputado pelo Partido Republicano. Antônio da Silva Prado (o Conselheiro), irmão de Martinico, comandou a prefeitura de São Paulo por três mandatos consecutivos, de 1898 a 1910. O cargo voltaria às mãos da família entre 1934 e 1938, com Fábio Prado, engenheiro formado na Bélgica que contribuiu decisivamente para a construção da infraestrutura urbana e de apoio à cultura da cidade.
Por sua vez, a família Crespi representa a ascensão de imigrantes oriundos do “boom” populacional experimentado pela cidade, que recebeu muitos europeus para prover mão de obra não só para a produção de café, mas também para a indústria incipiente. Destacaram-se no meio industrial, formando uma nova classe e incrementando a dinâmica com as elites tradicionalmente agrárias. Rodolfo Crespi, pai de Renata, construiu um enorme patrimônio, tornando-se uma das famílias de origem italiana mais influentes da cidade.

Sobre a Fundação Crespi-Prado
A Fundação Crespi-Prado, instituída por Renata Crespi Prado em 1975, representa um acervo artístico composto da coleção de móveis antigos, quadros, pratarias, tapeçarias, ourivesarias, baixelas e alfaias que faziam parte da decoração de suas residências nas cidades de São Paulo e de Araras, ambas no Estado de São Paulo. Entidade civil sem fins lucrativos, a Fundação é administrada por uma Diretoria com três membros e por um Conselho de Curadores composto de 11 membros. Sua finalidade é incentivar as artes e outras ciências sociais, inclusive a história e mais conhecimentos correlatos.
Seu acervo, cedido em comodato, está exposto no Museu da Casa Brasileira, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, nos Palácios do Governo do Estado de São Paulo e em breve também no Jockey Club de São Paulo. Em 2010, a Fundação passou a apoiar projetos culturais voltados a crianças e adolescentes carentes por meio do apoio e de parcerias com instituições de reconhecida competência e utilidade pública. Atualmente, existem parcerias em curso com três instituições do gênero.

Sobre o Museu da Casa Brasileira
O Museu da Casa Brasileira se dedica às questões da cultura material da casa brasileira. É o único do país especializado em design e arquitetura, tendo se tornado uma referência nacional e internacional nesses temas. Dentre suas inúmeras iniciativas destaca-se o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, realizado desde 1986, e que comemora este ano sua 26ª edição.

Exposição A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado
Abertura: 29 de setembro, sábado às 11h
Entrada gratuita e aberta ao público em geral
Visitação: exposição de longa duração
Museu da Casa Brasileira
Endereço: Av. Faria Lima, 2.705 – Jd. Paulistano
Tel.: (11) 3032-3727
Horário de funcionamento: de terça a domingo das 10h às 18h
Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia-entrada)
Domingos e feriados – gratuito
Acesso a pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida
Estacionamento: de terça a sábado até 30 minutos, grátis; até 2h, R$ 12. Demais horas: R$ 2. Domingo e feriados, preço único de R$ 15
Bicicletário com 20 vagas
Visitas orientadas: (11) 3032-2564 / agendamento@mcb.org.br
Site: www.mcb.org.br
Redes sociais: www.facebook.com/museu.dacasabrasileira | Twitter: @mcb_org

Fonte: Assessoria de imprensa do Museu da Casa Brasileira

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